sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Resignatio Benedictus XVI


 
Texto publicado hoje em Zenit, que reproduzo aqui.
 
Resignatio
Bento XVI é uma das maiores inteligências do mundo atual
Por Alejandro Ridruejo Martínez

ROMA, 14 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos a seguir o testemunho pessoal sobre o papa Bento XVI escrito pelo médico espanhol Alejandro Ridruejo Martínez, ex-presidente da Irmandade Médico-Farmacêutica dos Santos Cosme e Damião, que conheceu o pontífice pessoalmente em um congresso da Federação Mundial de Médicos Católicos.

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Tinha pensado em escrever muito pouco este ano. Entre os vários motivos, por estar ocupado na edição de um livro simples, que reúne a maioria dos artigos que já publiquei.
Recebi a notícia depois da missa na pequena capela da enfermaria dos padres carmelitas descalços de Burgos.

Conheci pessoalmente o papa faz quatro anos, graças a um congresso organizado pela Federação Mundial de Médicos Católicos, que é presidida pelo jovem médico espanhol José María Simón Castellví, meu bom amigo. O congresso tratava da doação de órgãos.
Já comentei sobre este congresso, mas não me importo em repetir alguns detalhes.
Bento XVI nos recebeu na Sala Clementina por volta de meio-dia e meia e nos falou sobre a grandeza da gratuidade na doação de órgãos humanos e sobre o perigo da perversão através do dinheiro.
Os alemães o consideram hoje o alemão mais inteligente. Ele pode ser uma das maiores inteligências do mundo atual. Várias vezes, foi confirmado que ele estava acima de todos os que o rodeavam no Vaticano, o que, para mim, era um grande motivo de alegria e de tranquilidade, em particular por saber que ele sofreu a traição dos próprios colaboradores. Aliás, acho que ali começou o verdadeiro deteriorar-se físico dessa pessoa com antecedentes de ictus cerebral e com 85 anos de idade. Não nos esqueçamos da grande valentia que ele teve ao perseguir a pederastia na Igreja, nem de que devemos seguir o seu exemplo ao abordar este problema, que foi outro grande desgosto para a sua personalidade sensível.

Bento XVI, muito conhecido pela quantidade de escritos e como homem livre e humilde, também deixou escrita a possibilidade da renúncia do papa, por razões de idade, doença, falta de forças; como pessoa coerente, ele toma uma decisão muito respeitável.

Com toda gratidão e carinho,

Alejandro Ridruejo Martínez



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bento XVI renunciou


O Papa Bento XVI surpreendeu o mundo hoje pela manhã, na festa de Nossa Senhora de Lourdes, ao anunciar sua renúncia ao trono de Pedro.

Quem acompanha os passos deste grande Papa não se espantou com o seu gesto de grande humildade e grandeza, ao reconhecer que seu corpo não mais responde às necessidades de seu ministério. Nos últimos meses, como o próprio Bento XVI disse hoje pela manhã, foi visível a sua perda de vigor físico, dia a dia. Ele fez o que aos bispos e padres se recomenda: que renunciem aos seus cargos quando não tiverem mais saúde para continuar, ou ao completar 75 anos de idade. Como o cargo do Papa é vitalício, e ele foi eleito aos 78 anos, andou até as últimas forças, mas agora sentiu que não lhe é possível continuar.

Creio que ele se retirará para um mosteiro, onde permanecerá em oração por todas as necessidades da Igreja, que ele conhece tão bem, e continuará a prestar um importantíssimo serviço a toda a humanidade.

Espero que ele ainda tenha forças para terminar de escrever os seus livros sobre Jesus de Nazaré, tão profundos e belos, antes de partir para a Casa do Pai, e creio que ele poderá declarar como São Paulo a Timóteo: combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé.

Obrigado por tudo, Bento XVI! Que o Senhor da Vida o recompense largamente!