segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dom Orani: sobre a ideologia de gênero



Republico, aqui, o belíssimo texto, lúcido e profundo, sobre a famigerada ideologia de gênero, do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta OCist.

O original saiu aqui:
http://arqrio.org/formacao/detalhes/771/nova-ameaca-da-ideologia-de-genero

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“A ideologia de gênero é uma tentativa de afirmar para todas as pessoas que não existe uma identidade biológica em relação à sexualidade. Quer dizer que o sujeito, quando nasce, não é homem nem mulher, não possui um sexo masculino ou feminino definido, pois, segundo os ideólogos do gênero, isto é uma construção social” (Dr. Christian Schnake, médico chileno e especialista em Bioética, Ideologia de gênero: conheça seus perigos e alcances. Destrave. Canção Nova, acessado em 2/6/15), conforme expus em Nota Pastoral recém-publicada.

Ora, essa ideia, que vem sendo difundida como palavra de ordem nos últimos tempos, apareceu no Plano Nacional de Educação (PNE), mas, graças à mobilização das forças vivas e atuantes do Brasil, contando, inclusive, com alguns Bispos, foi banida. Agora, porém, volta ao Plano Municipal de Educação (PME). No mínimo isso é uma incoerência: colocar no plano municipal o que não consta no federal! Cada município ficará, pois, por meio de seus vereadores, responsável, diante de Deus e de seus munícipes, de excluir (se, obviamente, já estiver no texto), até o fim de junho, a revolucionária ideologia de gênero para as crianças e adolescentes em fase escolar atendidas pela rede municipal de ensino. Arbitrariamente, algumas atitudes federais já inserem alguns tipos dessa ideologia em nossas escolas, mesmo através de livros e outras decisões por decreto. Querem transferir para a orientação da escola aquilo que as famílias são chamadas da passar aos seus filhos.

De um modo amplo, ideologia é um termo que se origina dos filósofos franceses do século XVIII, conhecidos como ideólogos (Destutt de Tracy, Cabanis etc.) por estudarem a formação das ideias. Logo depois, passou a designar um conjunto de ideias, princípios e valores que refletem uma determinada visão de mundo, orientando uma forma de ação, sobretudo uma prática política.

Hoje, o termo ideologia parece ser amplamente utilizado, sobretudo por influência do pensamento de Karl Marx, na filosofia e nas ciências humanas e sociais em geral, significando o processo de racionalização – um autêntico mecanismo de defesa – dos interesses de uma classe ou grupo dominante para se manter no poder (cf. H. Japiassú e D. Marcondes. Dicionário Básico de Filosofia. 3ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, verbete ideologia).

Ora, esta base é que sustenta a ideologia de gênero, cujas raízes merecem ser, em suas várias vertentes, conhecidas pelo povo brasileiro.

Pois bem, no período entre as duas grandes guerras mundiais (1918-1939), estudiosos de diversas áreas – Filosofia, Sociologia, História, Economia, Psicologia etc. – ligados à chamada Escola de Frankfurt, se puseram a criticar tanto a burguesia capitalista quanto o comunismo extremado, ou seja, aquele de fundo marxista-leninista dogmático. Em seu lugar, propunham um marxismo sorridente, capaz de se difundir no Ocidente dado que aqui se faziam muitas ressalvas ou críticas ao modelo comunista russo implantado no governo desde novembro de 1917.

Esse comunismo, mais aberto para enganar os ingênuos, trazia em seu bojo a filosofia marxista da luta de classes, na qual, segundo o filósofo alemão Frederick Engels, em sua obra “A Origem da Família, da Propriedade e do Estado”, escrita em 1884, “o primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher unidos em matrimônio monogâmico; e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino” (New York, 1972, p. 65-66).

Pois bem, essa luta de classes no modelo tratado por Engels foi unida às teorias de Sigmund Freud (1856-1939) e transformada também em luta de sexos, na qual a mulher seria a classe oprimida e o homem a classe opressora. A libertação viria no momento em que as mulheres se soltassem sexualmente, praticando a genitalidade sem barreira alguma. Mesmo o “incômodo” do filho teria solução: a Rússia legalizou o aborto já no ano de 1920, visto que ainda não se conhecia a pílula anticoncepcional e muito menos os fármacos abortivos.

Infelizmente, tudo isso não foi libertador, mas tornou muitas mulheres, sempre tão queridas por Deus, novas escravas, não mais apenas vítimas dos homens, mas de si mesmas, dado que, talvez na ânsia de se libertarem, acabaram pagando o alto preço dos efeitos colaterais da libertinagem, especialmente com o aumento da prostituição, do consumo de álcool e de outras drogas, das pílulas anticoncepcionais, das pílulas do dia seguinte (abortivas) e do aborto cirúrgico, cujas sequelas no corpo e na mente podem ser danosas para sempre. Afinal, nenhuma mulher com uma boa formação humana e cristã, por sua natureza materna inata, dormirá em paz depois de pensar que assassinou o próprio fruto do seu ventre.

Logo depois se assomou a isso tudo o construtivismo social. Que ensina essa escola? – Ensina a desconstrução da realidade, e, com Jaques Derrida e Michel de Foucault, foi também aplicada à sexualidade. Para eles não existe a realidade (objeto) nem o homem que descobre a realidade (sujeito), mas apenas a linguagem que produz os objetos ao lhe dar os nomes que os classifica e caracteriza.

Essa linguagem, porém, é fruto de mera construção social que atribui a ela o valor semântico que quiser. Daí serem esses valores mutáveis como a sociedade, de modo que o modelo cultural atual é responsável por destruir o anterior, e assim sucessivamente, inclusive no campo moral. Reina, portanto, o relativismo, e, para Foucald o pansexualismo: tudo giraria em torno da sexualidade.

Com o existencialismo ateu, dá-se um passo além, especialmente por obra de Simone de Beauvoir. Esta ensina que “não se nasce mulher, mas você se torna uma mulher; não se nasce um homem, mas você se torna um homem”. O gênero seria uma construção sociocultural sustentada pela experiência. Ora, se a experiência da mulher foi a de ser dominada pelo homem ao longo da história, na visão de Beauvoir, toda hierarquia deveria ser eliminada da vida pública e privada para dar lugar a relações de igualitarismo marxista (não de igualdade cristã) entre os seres humanos.

Chega-se, assim, ao feminismo de gênero como uma espécie de síntese de todas essas correntes que, brevemente, apresentei acima. Esse tipo de feminismo supera o anterior que o preparou, ou seja, aquele feminismo inicial desejoso de que a mulher fosse equiparada aos homens. Descreve bem essa evolução feminista a seguinte declaração de Shulamith Firestone: “Para organizar a eliminação das classes sexuais é necessário que a classe oprimida se rebele e assuma o controle da função reprodutiva..., pelo que o objetivo final do movimento feminista; isto é, não apenas a eliminação dos privilégios masculinos, mas da própria diferença entre os sexos; assim, as diferenças genitais entre os seres humanos nunca mais teriam nenhuma importância” (The dialectcs of Sex. Nova York: Bantam Books, 1970, p. 12).

Tudo isso leva-nos ao cerne do gênero, que é a permissão para que sejam eliminadas (como se isso fosse possível) todas as diferenças entre os sexos, complementando desse modo o que propusera o feminismo anterior ao pregar o seguinte: “a raiz da opressão da mulher está em seu papel de mãe e educadora dos filhos. Por isso deve ser liberada de ambas as tarefas, através da contracepção e do aborto e da transferência da responsabilidade da educação dos filhos para o Estado” (J. Scala. Ideologia de gênero. São Paulo: Katechesis/Artpress, 2011, p. 21). Estejamos atentos a algumas leis que já existem em que o Estado interfere na família e educação dos filhos.

A partir dos anos de 1980, todos esses ideólogos do feminismo antigo ou de gênero se uniram a outros lobbies e passaram a combater a família monogâmica e estável como um estorvo para a liberdade sexual imaginada desde os anos de 1960 para todos, a fim de destruir os planos perfeitos de Deus e, em seu lugar, impor os planos falhos da criatura.

O ser humano, como pessoa, nunca pode ser usado como um instrumento ou um objeto, mas deve ser contemplado e amado como tal, sendo dotado de dignidade e valores. A negação da transcendência afeta diretamente a dignidade da criatura humana. Pois como disse São João Paulo II: "a divindade da pessoa humana é um valor transcendente, como tal sempre reconhecido por aqueles que se entregam sinceramente à busca da verdade" (cf. Mensagem de sua santidade João Paulo II para a celebração do XXXII Dia Mundial da Paz: 1 de janeiro de 1999).

Analisando essas ideologias supracitadas, percebemos que elas são expressão de autoritarismos que visam a valorizar seus próprios interesses, fazendo com isso que a sociedade acabe negando a transcendência do ser humano e, consequentemente, rebaixando a dignidade do homem, acarretando graves implicações no campo dos direitos humanos.

Por fim, podemos concluir que a ideologia do gênero tornou-se um instrumento utilizado para atacar a dignidade da pessoa e também a família, pois esta representa para eles um tipo de 'dominação'. Ao contrário, nós dizemos que é pela família que conseguiremos restaurar tal dignidade; pois é por ela que somos educados e formamos verdadeiros valores e ideais.

As perguntas que ficam são: uma sociedade com indivíduos que cultivam ódio a Deus e tentam destruir valores intrinsecamente sagrados como a vida e a família poderão ter um futuro promissor? Os seres humanos são mais felizes ou mais frustrados com tudo isso? Não estaria, em parte ao menos, atrelado a essa degenerescência dos valores o alto índice de adolescentes e jovens que tentam buscar escapes nos entorpecentes ou mesmo nas tentativas ou na consumação de suicídios? As perguntas atuais sobre os rumos da humanidade e as dificuldades de respostas da sociedade estão a comprovar os descaminhos que a sociedade hodierna está tomando.

Já não passou da hora de nos voltarmos mais à misericórdia de Deus e confessarmos confiantes: Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! (cf. Jo 6,68)? Sim, pois só Ele é a verdadeira e definitiva libertação de toda opressão que o ser humano possa sofrer. E ao acolhermos a “palavra de Deus” iremos ver que encontraremos o verdadeiro “ser humano” criado à imagem e semelhança d’Ele. E veremos que mesmo os estudiosos e cientistas sérios chegarão à mesma verdade através de suas reflexões e raciocínios. Cabe a nós, cidadãos de hoje, levarmos avante os verdadeiros valores desta pátria que amamos e aonde habitamos como cidadãos que têm direitos e deveres e que se responsabilizam pelo futuro.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Qual ciência para qual vida?



O Papa Francis recebeu neste domingo, 30 de maio, na Sala Clementina, os participantes na conferência "Qual ciência para qual vida?'', promovido pela Associação Ciências e Vida, no encerramento desta conferência, em Roma.
''O vosso serviço em favor da pessoa humana é importante e encorajador" - disse o Santo Padre. Na verdade, a defesa e a promoção da vida representam uma tarefa crítica, tanto mais para uma sociedade marcada pela lógica negativa do descarte... A fim de proteger a pessoa dais primazia a duas ações fundamentais: para sair para encontrar e encontrar para sustentar''.
''O amor de Cristo incita-o fazer-se servos de jovens e velhos, de cada homem e mulher a quem devemos reconhecer e defender o direito fundamental à vida", continuou o Pontífice. A existência da pessoa, a quem  dedicais vossa solicitude é também vosso princípio constitutivo; é a vida na sua profundidade insondável que origina e acompanha todo caminho científico; é o milagre da vida que sempre põe em crise qualquer forma de presunção científica, restaurando a primazia para a maravilha e a beleza... Reiteramos que uma sociedade justa reconhece como primário o direito à vida desde a concepção até a conclusão natural. No entanto, eu desejo que estivéssemos lá e pensássemos com mais cuidado no tempo que une o início ao fim. Portanto, reconhecendo o inestimável valor da vida humana, também devemos refletir sobre como a usamos.''
Francisco disse que o grau de progresso de uma civilização se mede pela capacidade de defender a vida, sobretudo nas suas fases mais frágeis, do que pela difusão de tecnologias. ''Quando falamos do ser humano - ele afirmou - nunca nos esqueçamos de todos os ataques contra a sacralidade da vida humana. É atentado à vida a praga do aborto. É atentar à vida deixar nossos irmãos morrer a bordo dos navios no Estreito da Sicília. Ataque à vida é a morte no local de trabalho, porque as condições mínimas de segurança não são respeitadas. Ataque à vida é a morte de desnutrição. São ataques contra a vida o terrorismo, a guerra, a violência, mas também a eutanásia.''
''Eu incentivo - concluiu - a relançar uma nova cultura da vida que estabeleça redes de confiança e reciprocidade e ofereça horizontes de paz, misericórdia e comunhão.''






"Eis então, sublinhou ainda o Papa, Cristo, que é luz do homem e do mundo, ilumina a estrada por forma a que a ciência possa estar sempre ao serviço do homem e do mundo; e quando o saber esquece o contato com a vida real, torna-se estéril". Por isso, exortou o Papa, “convido-vos a manter alto o olhar sobre a sacralidade de cada pessoa humana, por forma a que a ciência esteja realmente ao serviço do homem e não o homem ao serviço da ciência”. 

Publicado no VIS, segunda-feira, 1 de junho de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

USA: proibido o aborto após a 20ª semana

 
 
Ainda não está aceitável, mas houve alguma mudança para melhor...

A agência Zenit publicou nesta semana uma notícia auspiciosa:mudam os ventos dentro do Congresso dos EUA. A Câmara dos Deputados aprovou ontem um projeto de lei que proíbe a execução do aborto após a 20ª semana de gestação.

O voto para o Pain Capace Protection Act Unborn Child obteve 242 favoráveis (a maioria Republicanos, exceto 5) e 184 contrários (a maioria Democráticos, exceto 4).

Se também o Senado tivesse que aprovar o desenho de lei, o presidente Barack Obama ameaça o veto. Os grupos pro-life esperam utilizar a medida como instrumento eleitoral, por ocasião das presidências de 2016, na esperança que um eventual novo presidente pro-life assine depois a lei.

O projeto de lei já tinha passado no mês de maio de 2013, mas depois parou no Senado, sendo naquele então o ramo do Congresso com maioria de democratas.

De acordo com pesquisas, a maioria dos americanos está cada vez mais pró-vida e apoia projetos de lei como aquele aprovado ontem. Uma investigação da Marist University observa que 84% dos entrevistados gostariam de restringir o aborto nos primeiros três meses de gravidez e é significativo que essa restrição seja desejado pelo 69% daqueles que se declaram pró-escolha. É de 84% também a percentagem de americanos que argumenta que a lei deve proteger tanto a mãe quanto o concebido.

Sessenta por cento dos americanos acha o aborto "moralmente inaceitável", contra 38% dos que são a favor. Segundo o The Polling Company, a restrição do aborto à 20ª semana de gestação, como prevê o projeto de lei apenas aprovado na Câmara, é apoiado pelo 64% dos americanos e tem a oposição de 30%.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Santo Sudário: entrevista com Dr Juan Francisco Espinosa






Juan Francisco Sánchez Espinosa, médico espanhol, pertence à Sociedade Espanhola de Sindonologia, ou seja, de estudos relacionados com a Síndone ou Santo Sudário. Há vários anos, além de estudar, ele dá conferências sobre o mais singular tecido da cristandade. Ele concedeu uma entrevista a ZENIT, nesta ocasião da nova ostensão do Sudário, em Turim.

***

ZENIT: O que é o Santo Sudário?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: É um lençol funerário. Alguns autores afirmam, com base nos vários tipos de estudos que já foram feitos, que a sua origem remonta ao século I antes ou depois de Cristo, pelo tipo de estrutura que ele tem. Curiosamente, as medidas não foram sempre as mesmas, porque, ao longo do tempo, foi havendo várias sobreposições para sustentar o tecido. As medidas atuais são de aproximadamente 4,36m x 1,10m. O vocábulo grego “síndon”, que significa tecido, originou a palavra atual com que chamamos o Santo Sudário, a “Síndone” de Turim. E a sindonologia é o estudo desse tecido tão singular para toda a cristandade.

ZENIT: O que podemos ver na Síndone?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: Vemos uma imagem dorsal e frontal de um homem que foi morto mediante a crucificação. Vemos múltiplas feridas disseminadas por todo o tórax, pelo abdome, pelos membros superiores e inferiores, do que parecem açoites; lesões na cabeça, mais de 600 feridas. E também feridas de transfixação nos pulsos e nos pés.

ZENIT: Como o senhor descreveria a imagem que podemos ver na Síndone?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: Você precisa estar a mais de um metro e meio de distância para conseguir visualizá-la. Não se sabe onde começa e onde acaba. É uma imagem que se formou na superfície do linho de 4 ou 5 micras de profundidade por uma desidratação da celulose do linho; não existe nenhum resto de pigmento, como foi demonstrado em um dos exames feitos em 1978. É algo extraordinário, porque, com toda a tecnologia do século XXI, não somos capazes de saber realmente como a imagem se formou. Alguns falam dela como a imagem impossível, porque não tem explicação científica.

ZENIT: Também aparecem restos de sangue no Santo Sudário, não é? Que explicação pode existir?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: É curioso que o sangue seja prévio à formação da imagem. E é curiosíssimo porque algumas partes do tecido foram raspadas e ficou comprovado que não há imagem. Então podemos concluir que a imagem se formaria depois do sangue incrustado no tecido. O que sabemos é que se trata de sangue do grupo AB. Mais ou menos 16% da população semítica ou hebraica tem esse tipo de sangue. E, curiosamente, o sangue detectado no Santo Sudário de Oviedo também é do grupo AB. Um detalhe importante é que, no sangue, aparece uma grande quantidade de bilirrubina; e isso acontece quando a morte é causada por muito estresse.

ZENIT: Por que podemos dizer que o Santo Sudário é um “negativo fotográfico”?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: O primeiro que notou foi o fotógrafo italiano Secondo Pia, em 1898. Alguns estudos dizem que essa imagem pôde surgir por causa de uma radiação ortogonal; ou seja, que sai verticalmente do corpo e produz a imagem. É como se o corpo tivesse emitido uma radiação; mas, realmente, não se sabe exatamente como aconteceu.

ZENIT: Em 1988, foi feito o exame de carbono 14 e alguns opinam que o resultado não é determinante para precisar a idade do tecido. Por quê?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: Essa prova tem uma confiabilidade de 67% e a única coisa que ela faz é medir o número de átomos de carbono 14 que existem nesse organismo. O carbono é gerado pelos raios cósmicos que formam o nitrogênio. Deram quatro mostras do Sudário, mas todas cortadas do mesmo pedaço. E era o pedaço que foi chamado de “remendo fantasma”, porque nele existem misturas. Isso é um erro de metodologia, porque o lógico teria sido pegar vários pedaços de diferentes partes do Santo Sudário. Quando se diz que a Síndone é da Idade Média, é porque nas mostras que foram dadas às universidades que a estudaram havia tecido medieval mesclado com o tecido original. É o que acabou sendo chamado de “entretecido francês”, que é algodão tingido.

ZENIT: Que aspectos da imagem o senhor ressaltaria do ponto de vista médico?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: É uma imagem que me diz o tipo de morte que aquele homem sofreu; que ele teve um sofrimento brutal, que sofreu perfuração nos pulsos e nos pés. Isso tem que ter causado uma dor horrorosa, porque, provavelmente, atingiu o nervo mediano; por isso o dedo polegar ficou puxado para dentro. Também há mais de 600 lesões que devem ter causado no homem da Síndone um sangramento descomunal, com uma perda de sangue muito grande. Há lesões de chicotadas compatíveis com o “flagrum taxilatum”, que era uma espécie de chicote formado por tiras de couro terminadas nos chamados “taxil”, formados por pedaços de ossos ou de chumbo que se cravavam na carne; de fato, há pedaços de músculo que foram recolhidos do Sudário, na altura das costas da imagem. Deve ter sido um espancamento selvagem. Esse tipo de tortura podia destroçar a musculatura intercostal, lesionar órgãos internos, etc.

ZENIT: Alguns estudiosos também falam do pólen como prova de que a Síndone veio de Jerusalém, não é?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: Sim, porque, nos estudos, foi descoberto que muitas mostras de pólen que ficaram no tecido vêm da área de Jerusalém. Concretamente, quatro ou cinco espécies que são próprias da região do Mar Morto e de Jerusalém. Alguns pesquisadores judeus da Universidade Hebraica de Jerusalém, como Uri Baruh, concluíram que o Santo Sudário esteve em Jerusalém: na primavera e aproximadamente 2000 anos atrás.

ZENIT: O Santo Sudário é um milagre?
Juan Francisco Sánchez Espinosa: Para mim, sim, é um milagre. Eu acredito que Deus deixa rastros neste mundo e um deles é o Santo Sudário, porque não há explicação científica. O Santo Sudário interpela você porque, se é verdade que ele fala de Jesus Cristo morto e ressuscitado, o que a Igreja diz também é verdade e, portanto, você precisa mudar de vida. E se para você não interessa mudar de vida, então não interessa ouvir isto.


domingo, 3 de maio de 2015

O Sudário: não é pintura, não é escultura nem fotografia, é autêntico!




 O Papa Francisco vai visitar em junho deste ano, a Catedral de Turim, onde está exposto, novamente, o Santo Sudário, de 19 de abril a 24 de junho.


Um dos cientistas que o analisou, Barrie Schwortz, técnico em fotografia, a pedido da Igreja, sendo judeu e inicialmente cético, hoje é um dos maiores defensores da autenticidade e profundo conhecedor do Sudário.


Ele concedeu uma longa entrevista ao Catholic World Report, cujo link está aqui (original em inglês):


The Shroud: Not a Painting, Not a Scorch, Not a Photograph | Catholic World Report - Global Church news and views


A entrevista foi traduzida pelo blog Ciência confirma a Igreja, do Luís Dufaur, em duas postagens, leia a primeira e a segunda.


Barrie Schwortz disse que, inicialmente, não queria participar da análise do Sudário porque acreditava tratar-se de uma falsificação medieval, mas que 10 minutos após iniciar o trabalho, convenceu-se que não era uma pintura, como pensava, e ficou intrigado.


Outro ponto que o fez convencer-se da autenticidade é que o sangue do Sudário é vermelho, e o sangue exposto ao ar por muito tempo fica marrom ou preto. Intrigado, perguntou a um químico da equipe, Alan Adler, que lhe informou que o sangue do Sudário tinha alta quantidade de bilirrubina, o que explica a cor vermelha. O fígado de uma pessoa muito desidratada secreta altas quantidades de bilirrubina, o que torna o sangue vermelho para sempre.


Ele também declara, do alto de seu enorme conhecimento sobre o assunto: o Sudário é, literalmente, um documento da Paixão e da tortura que Jesus sofreu.


Algumas conclusões do autor ao estudar profundamente o Sudário:

  • O homem foi severamente açoitado. Isso se observa não só nas feridas nas
    costas, mas podem-se ver as tiras de couro que o atingiram, envolvendo o
    corpo, e que bateram pela frente também.

    De um ponto de vista forense, a imagem do Sudário fala mais do que as representações comuns que vemos na arte.

    Ele tem um ferimento de lança no lado. Suas pernas não estão quebradas,
    como era geralmente o caso quando os homens eram crucificados. Sua
    cabeça e o couro cabeludo estão cobertos de feridas.

    Mais uma vez: na arte muitas vezes vemos a coroa de espinhos como se
    fosse um pequeno círculo que se assemelha a folhas de louro em torno da
    cabeça de Cristo. Mas isso não é realista. Os soldados na verdade
    puseram um espinheiro sobre sua cabeça e o esmagaram sobre ela.

    Vemos a parte externa de uma mão, indicando que os pregos não foram
    cravados pelo centro da palma da mão, mas uma polegada mais perto do
    pulso.

    Ele era um homem bem constituído, que hoje poderíamos descrever como um
    homem belo. Tinha um busto forte, um peito profundo e ombros de bom
    tamanho.

    Isso faz sentido, já que era um carpinteiro. Naquele tempo ele tinha de
    ir para fora a fim de cortar uma árvore, serrá-la e dividi-la, coisas
    que exigem muita força física.

    A respeito de sua altura, é difícil dizer. Não há nenhum limite definido
    na imagem. O pano também pode ter sido afetado pela umidade ou
    esticado. Dito isto, o nosso melhor palpite é 1,78 ou 1,80 m de altura.

    Assim, ele seria um homem bem alto para a época, mas não tão alto que os
    escritores do Evangelho tivessem mencionado o fato. Na verdade, temos
    os restos de judeus da época que mediram mais de 1,83 metros.


 Ao contrário do que muitos querem dizer, não há como refutar a autenticidade do Sudário. De qualquer ponto de vista, o Sudário é assombroso, maravilhoso, perfeito. Mão humana nenhuma conseguiria fazer tal maravilha.

Para saber mais:

http://www.lepanto.com.br/catolicismo/ciencia-e-fe/provada-a-autenticidade-do-santo-sudario/


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


sábado, 25 de abril de 2015

Que mundo é este, meu Deus?





A imagem que ilustra este texto correu o mundo há algumas semanas e me tocou profundamente, ao ver o quanto a maldade humana pode ir longe: uma criança que vive em tal estado de medo e temor que confundiu uma câmera fotográfica com uma arma e prontamente fez mãos ao alto...

Exatamente um ano atrás, escrevi outro texto neste mesmo tema por causa de outra foto de criança sendo ameaçada por armas, simplesmente por ter pais cristãos – leia aqui.

Todos os dias, vemos atrocidades cometidas contra pessoas inocentes, como as mortes de cristãos, apenas por ser cristãos, pelo auto intitulado estado islâmico, que instaurou o terror no oriente médio e continua a fazer mortes e espalhar o medo naquelas populações.

Pelo mundo afora, vemos guerras fratricidas que sempre produzem vítimas inocentes, como a guerra entre separatistas russos e ucranianos, que além das inúmeras vítimas locais, ainda atingiu um avião comercial que passava por ali e matou 295 pessoas.

Neste ano, estamos lembrando os 100 anos do genocídio dos armênios, lembrado pelo Papa Francisco, que causou a morte de milhares de pessoas.

Aqui no Brasil, recordes diários de violência, mortes e mais mortes no trânsito, assassinatos, pessoas que morrem em hospitais porque falta tudo, por culpa dos governantes de todas as esferas, que só estão interessados nos próprios bolsos... e os escândalos de corrupção se multiplicam, e parece que não está acontecendo nada no governo, vistas as atitudes dos governantes, os nomeados e as negociatas que seguem para livrar a própria pele e seguir em frente...

Está faltando amor ao próximo, respeito ao diferente e às diferenças, tolerância, paciência, caridade, humanidade... parece que a mensagem de Cristo foi totalmente esquecida e relegada a mera filosofia, que se poderia jogar fora, como se fosse descartável...

Por fim, uma mensagem de esperança: Hymne des Fraternises, interpretada por músicos espanhóis do grupo Solimusic Voces para la Paz, que fazem um trabalho voluntário belíssimo. Esta música foi tema de um filme belíssimo, Joyeux Noel, e versa sobre a fraternidade, o respeito, o amor...



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Notícias ruins sobre AIDS em 2015





Novamente a AIDS volta a ser notícia ruim no Brasil. Depois da divulgação pelo Ministério da Saúde em 2014 que houve aumento de 11% dos novos casos de AIDS no Brasil, principalmente entre homossexuais, o jornal Estado de São Paulo publicou este fim de semana uma reportagem preocupante, mas que infelizmente não é novidade para quem trabalha com HIV e AIDS: é sobre o bareback, que significa, literalmente, “o perigo que vem por trás”.

A reportagem mostra que, espalhados em sites e blogs pela internet e presentes em saunas e casas de sexo, grupos de homens soropositivos de diversas partes do Brasil têm usado táticas para infectar parceiros sexuais propositalmente. Adeptos da modalidade bareback, na qual gays fazem sexo sem camisinha, eles têm compartilhado dicas de como transmitir o HIV sem que o parceiro perceba. A prática é considerada crime e tem causado preocupação na área da saúde e também no meio LGBT.
Na web e nas baladas, os barebackers formam o "clube do carimbo". Em blogs, compartilham diferentes técnicas para fazer sexo sem proteção ou furar a camisinha. Fotos e vídeos ilustram o "passo a passo".

Infelizmente, apesar de todo o arsenal de diagnóstico e terapia que dispomos hoje para o enfrentamento do HIV e AIDS, ainda há muito preconceito e desinformação sobre a doença. Além disso, a falsa sensação de segurança trazida pelo tratamento antirretroviral e o virtual desaparecimento dos pacientes magérrimos pela doença na mídia faz com que as pessoas se descuidem da prevenção e continuem a fazer sexo sem proteção, com multiplicidade de parceiros.

É preciso coragem dos pais e educadores para a conscientização dos nossos jovens sobre sexo seguro, castidade, valorização do próprio corpo e, infelizmente, a aprender a defender-se da maldade de quem pratica este tipo de ação criminosa, entre outras.

Que Deus nos ajude nestes tempos tão difíceis em que vivemos...