terça-feira, 24 de março de 2020

Papa reza pelos médicos e sacerdotes mortos na pandemia de Covid19




Na Missa na Casa Santa Marta desta terça-feira (24/03), o Papa rezou pelos profissionais da saúde e pelos sacerdotes que estão dando assistência aos doentes do coronavírus, colocando em risco a própria vida. Até hoje, na Itália, são 24 médicos mortos em sua atividade de assistência aos que foram atingidos pelo Covid-19. Quase cinco mil agentes de saúde também foram contagiados. Cerca de 50 sacerdotes morreram por causa desta pandemia. 

A seguir, as palavras do Santo Padre no início da celebração:
Recebi a notícia que nestes dias faleceram alguns médicos, sacerdotes, não sei se algum enfermeiro, mas se contagiaram, foram contaminados porque estavam a serviço dos doentes. Rezemos por eles, por suas famílias, e agradeço a Deus pelo exemplo de heroísmo que nos dão na assistência aos doentes.
Ao final, a oração recitada pelo Papa:

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!
 

segunda-feira, 23 de março de 2020

Os médicos e a pandemia Covid19



Olá, meu leitor.

Recebi esta figura de uma amiga muito querida, que retrata bem a situação que todos nós, profissionais de saúde e, particularmente, os médicos, que estamos na linha de frente do combate desta epidemia, nos sentimos neste momento.

Todos os dias chegam notícias de novos casos e mortes por esta epidemia, que já se espalhou por todo o mundo, e que obrigou muitos países do mundo a adotar medidas restritivas pesadas para a população, como é o caso da quarentena instituída em muitos lugares, inclusive aqui no Brasil.

A letalidade, isto é, o número de mortos, é baixa, e ocorre nos grupos mais vulneráveis da população, que são os idosos e os imunodeprimidos em geral, seguindo o mesmo comportamento de outras viroses respiratórias.

Atualmente, o país mais afetado é a Itália; hoje foram contadas mais de 600 mortes.

Destes casos, há muitos médicos e enfermeiros. Na Espanha, 12% e na Itália 20% dos afetados pela epidemia são profissionais da saúde. Mas apesar disto, continuamos a enfrentar a epidemia na linha de frente, já com algumas baixas; felizmente, de pouca gravidade.

Que Deus nos ajude a enfrentar esta situação que exige o engajamento de todos. É preciso ter calma neste momento. Pânico não ajuda em nada.

Precisamos todos nós continuar com as medidas preventivas: lavar as mãos e evitar aglomerações.

Outra coisa importante: tudo isto vai passar. Façamos a nossa parte para que transcorra com o menor número de baixas possível.

Que Deus nos ajude. A oração de todos nos revigora e fortalece para o combate.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Mensagem do Papa para XXVIII dia mundial do doente



MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O XXVIII DIA MUNDIAL DO DOENTE
(11 DE FEVEREIRO DE 2020)

«Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos,
que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28)

Queridos irmãos e irmãs!

Estas palavras ditas por Jesus – «vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28) – indicam o caminho misterioso da graça, que se revela aos simples e revigora os cansados e exaustos. Tais palavras exprimem a solidariedade do Filho do Homem, Jesus Cristo, com a humanidade aflita e sofredora. Há tantas pessoas que sofrem no corpo e no espírito! A todas, convida a ir ter com Ele – «vinde a Mim» –, prometendo-lhes alívio e recuperação. «Quando Jesus pronuncia estas palavras, tem diante dos seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: muita gente simples, pobres, doentes, pecadores, marginalizados pelo ditame da lei e pelo opressivo sistema social. Este povo sempre acorreu a Ele para ouvir a sua palavra, uma palavra que incutia esperança» (Angelus, 6 de julho de 2014).

No XXVIII Dia Mundial do Doente, Jesus dirige este convite aos doentes e oprimidos, aos pobres cientes de dependerem inteiramente de Deus para a cura de que necessitam sob o peso da provação que os atingiu. A quem vive na angústia devido à sua situação de fragilidade, sofrimento e fraqueza, Jesus Cristo não impõe leis, mas, na sua misericórdia, oferece-Se a Si mesmo, isto é, a sua pessoa que dá alívio. A humanidade ferida é contemplada por Jesus com olhos que veem e observam, porque penetram em profundidade: não correm indiferentes, mas param e acolhem o homem todo e todo o homem segundo a respetiva condição de saúde, sem descartar ninguém, convidando cada um a fazer experiência de ternura entrando na vida d’Ele.

Porque tem Jesus Cristo estes sentimentos? Porque Ele próprio Se tornou frágil, experimentando o sofrimento humano e recebendo, por sua vez, alívio do Pai. Na verdade, só quem passa pessoalmente por esta experiência poderá ser de conforto para o outro. Várias são as formas graves de sofrimento: doenças incuráveis e crônicas, patologias psíquicas, aquelas que necessitam de reabilitação ou cuidados paliativos, as diferentes formas de deficiência, as doenças próprias da infância e da velhice, etc. Nestas circunstâncias, nota-se por vezes carência de humanidade, pelo que se revela necessário, para uma cura humana integral, personalizar o contacto com a pessoa doente acrescentando a solicitude ao tratamento. Na doença, a pessoa sente comprometidas não só a sua integridade física, mas também as várias dimensões da sua vida relacional, intelectiva, afetiva, espiritual; e por isso, além das terapias, espera amparo, solicitude, atenção, em suma, amor. Além disso, junto do doente, há uma família que sofre e pede, também ela, conforto e proximidade.

Queridos irmãos e irmãs enfermos, a doença coloca-vos de modo particular entre os «cansados e oprimidos» que atraem o olhar e o coração de Jesus. Daqui vem a luz para os vossos momentos de escuridão, a esperança para o vosso desalento. Convida-vos a ir ter com Ele: «Vinde». Com efeito, n’Ele encontrareis força para ultrapassar as inquietações e interrogativos que vos surgem nesta «noite» do corpo e do espírito. É verdade que Cristo não nos deixou receitas, mas, com a sua paixão, morte e ressurreição, liberta-nos da opressão do mal.

Nesta condição, precisais certamente dum lugar para vos restabelecerdes. A Igreja quer ser, cada vez mais e melhor, a «estalagem» do Bom Samaritano que é Cristo (cf. Lc 10, 34), isto é, a casa onde podeis encontrar a sua graça, que se expressa na familiaridade, no acolhimento, no alívio. Nesta casa, podereis encontrar pessoas que, tendo sido curadas pela misericórdia de Deus na sua fragilidade, saberão ajudar-vos a levar a cruz, fazendo, das próprias feridas, frestas através das quais divisar o horizonte para além da doença e receber luz e ar para a vossa vida.

Nesta obra de restabelecimento dos irmãos enfermos, insere-se o serviço dos profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, pessoal sanitário, administrativo e auxiliar, voluntários –, pondo em ação as respetivas competências e fazendo sentir a presença de Cristo, que proporciona consolação e cuida da pessoa doente tratando das suas feridas. Mas, também eles são homens e mulheres com as suas fragilidades e até com as suas doenças. Neles se cumpre de modo particular esta verdade: «Quando recebemos o alívio e a consolação de Cristo, por nossa vez somos chamados a tornar-nos alívio e consolação para os irmãos, com atitude mansa e humilde, à imitação do Mestre» (Angelus, 6 de julho de 2014).

Queridos profissionais da saúde, qualquer intervenção diagnóstica, preventiva, terapêutica, de pesquisa, tratamento e reabilitação há de ter por objetivo a pessoa doente, onde o substantivo «pessoa» venha sempre antes do adjetivo «doente». Por isso, a vossa ação tenha em vista constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer cedência a atos de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem mesmo se for irreversível o estado da doença.
Quando vos defrontais com os limites e possível fracasso da própria ciência médica perante casos clínicos cada vez mais problemáticos e diagnósticos funestos, sois chamados a abrir-vos à dimensão transcendente, que vos pode oferecer o sentido pleno da vossa profissão. Lembremo-nos de que a vida é sacra e pertence a Deus, sendo por conseguinte inviolável e indisponível (cf. Instr. Donum vitae, 5; Enc. Evangelium vitae, 29-53). A vida há de ser acolhida, tutelada, respeitada e servida desde o seu início até à morte: exigem-no simultaneamente tanto a razão como a fé em Deus, autor da vida. Em certos casos, a objeção de consciência deverá tornar-se a vossa opção necessária, para permanecerdes coerentes com este «sim» à vida e à pessoa. Em todo o caso, o vosso profissionalismo, animado pela caridade cristã, será o melhor serviço ao verdadeiro direito humano: o direito à vida. Quando não puderdes curar, podereis sempre cuidar com gestos e procedimentos que proporcionem amparo e alívio ao doente.

Infelizmente, nalguns contextos de guerra e conflitos violentos, são atacados o pessoal sanitário e as estruturas que se ocupam da receção e assistência dos doentes. Nalgumas áreas, o próprio poder político pretende manipular a seu favor a assistência médica, limitando a justa autonomia da profissão sanitária. Na realidade, atacar aqueles que se dedicam ao serviço dos membros sofredores do corpo social não beneficia a ninguém.

Neste XXVIII Dia Mundial do Doente, penso em tantos irmãos e irmãs de todo o mundo sem possibilidades de acesso aos cuidados médicos, porque vivem na pobreza. Por isso, dirijo-me às instituições sanitárias e aos governos de todos os países do mundo, pedindo-lhes que não sobreponham o aspeto econômico ao da justiça social. Faço votos de que, conciliando os princípios de solidariedade e subsidiariedade, se coopere para que todos tenham acesso a cuidados médicos adequados para salvaguardar e restabelecer a saúde. De coração agradeço aos voluntários que se colocam ao serviço dos doentes, procurando em não poucos casos suprir carências estruturais e refletindo, com gestos de ternura e proximidade, a imagem de Cristo Bom Samaritano.

À Virgem Maria, Saúde dos Enfermos, confio todas as pessoas que carregam o fardo da doença, juntamente com os seus familiares, bem como todos os profissionais da saúde. Com cordial afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio a Bênção Apostólica.

Vaticano, Memória do SS. Nome de Jesus, 3 de janeiro de 2020.

Franciscus
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Campanha do MS encoraja o retardo da iniciação sexual



A primeira campanha do governo federal para promover a abstinência sexual como meio de evitar a gravidez na adolescência deve chegar às ruas no dia 3 de fevereiro. A estratégia de marketing para divulgar o que o governo chama de "iniciação sexual não precoce" está sendo desenhada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em conjunto com o Ministério da Saúde e terá foco inicial nas redes sociais. A campanha pretende alcançar o público de 10 a 18 anos.
O objetivo é mostrar aos jovens os benefícios de adiar o início da vida sexual. De acordo com o secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maurício José Silva Cunha, a argumentação não é pautada em elementos religiosos e sim em estudos científicos.

A ministra Damares Alves (Mulher e Direitos Humanos) negou que suas convicções religiosas a influenciem na defesa da abstinência sexual entre adolescentes — campanha que o governo Bolsonaro lança no próximo dia 3, a 20 dias do Carnaval. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

 "O argumento que eu estou buscando é: uma menina de 12 anos não está pronta para ser possuída. Se vocês me provarem, cientificamente, que o canal de vagina de uma menina de 12 anos está pronto para ser possuído todo dia por um homem, eu paro agora de falar”, completou.

“Se vocês me trouxerem o abaixo-assinado de um milhão de assinaturas de pais de crianças e adolescentes contra proposta – mas provando ter adolescente e criança em casa --, eu paro de falar. Quem pede isso é a família brasileira”, discursou.

Em entrevista, a ministra, que também é pastora, enfatizou ser a favor “da laicidade do Estado” e se colocou como “uma gestora pública” para defender que o argumento pela relação sexual tardia teria um fundo técnico, não religioso.

“Se vocês [jornalistas] têm uma fórmula melhor que essa [abstinência sexual], pelo amor de Deus, me tragam correndo. [Porque] Quem suscita a questão da religião é a imprensa”, reclamou.

A informação foi publicada em reportagem do jornal O Globo segundo a qual esse grupo de 120 cidades registrou queda de 26,6% nos homicídios no ano passado, na comparação com 2018, segundo levantamento do jornal a partir de dados sobre os municípios tornados públicos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O santo da sala de cirurgia



O Papa Francisco aprovou em 2017 um decreto que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Vittorio Trancanelli, fiel leigo italiano, médico de profissão, conhecido pela sua proximidade com os doentes, apesar dele mesmo sofrer uma dolorosa doença.

O Dr. Vittorio Trancanelli nasceu na cidade de Spello, na província italiana de Perugia, em 26 de abril de 1944. Sua família chegou a esta pequena cidade no centro da Itália em abril de 1944, a fim de fugir dos combates da Segunda Guerra Mundial .

Depois de estudar em Assis, mudou-se à cidade de Perugia, onde se formou como médico e cirurgião. Após se casar aos 21 anos, ele e a sua esposa, Lia Sabatini, viveram em Perugia, onde exerceu a sua profissão no Hospital Silvestrini.

Em 1976, nasceu Diego, seu único filho biológico – posteriormente adotou 7 crianças –, um mês depois de sofrer uma colite ulcerosa grave com peritonite difusa que quase causou a sua morte.
Esta doença e a necessária operação para salvá-lo causaram sequelas para o resto da sua vida. Especificamente, os cirurgiões tiveram que realizar uma ileostomia que levaria a sua morte, mesmo que somente a sua esposa e alguns amigos soubessem.

Depois da sua recuperação, voltou a trabalhar. Seu compromisso com os doentes e sua proximidade com aqueles que sofrem fez com que os seus companheiros o chamassem o “santo da sala de cirurgia”.

Na década de 1980, começou a se sentir cada vez mais atraído pelos textos da Bíblia. Começou a estudar as Sagradas Escrituras e a colaborar com o Centro Ecumênico, em San Martin, em Perugia.
Posteriormente, fundou, junto com sua esposa e alguns amigos, uma associação cuja finalidade era acolher mulheres e crianças em situação de exclusão social. Seu compromisso com os mais desfavorecidos foi tão grande que o casal se comprometeu e adotou sete crianças, algumas deficientes.

Após um período de intenso trabalho profissional, sofreu outra grave doença e faleceu em 24 de junho de 1998. Antes da sua morte, cercado por sua esposa e filhos, se dirigiu a eles e disse: “Por isso vale a pena viver, não para tornar-se alguém, fazer uma carreira ou ganhar dinheiro”.

Em seu funeral, no qual esteve presente uma multidão, o Bispo de Perugia, Dom Giuseppe Chiaretti, afirmou: “Eu considero Vittorio um santo leigo”.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Cinco fatos sobre são José Moscati



São José Moscati foi um médico que viveu a caridade cristã ajudando na recuperação da saúde física e espiritual de seus pacientes pobres.
O Papa Paulo VI o beatificou em 16 de novembro de 1975 e, em 25 de outubro de 1987, foi canonizado pelo Papa João Paulo II.
Através destes 5 fatos, você conhecerá a incrível vida de São José Moscati, médico renomado da primeira década do século XX.
Foi nomeado membro da Academia Real Italiana de Medicina Cirúrgica e recebeu um doutorado em química fisiológica.
São José também supervisionou o Instituto de Anatomia Patológica local. Na sala de autópsia, instalou um crucifixo com uma inscrição em latim: "Onde estão, ó Morte, as tuas pragas?", tomada do Livro de Oseias.


1. Foi um médico brilhante
Moscati nasceu em 25 de setembro de 1880, em Benevento, Itália. Em 1897, matriculou-se na faculdade de medicina e, cinco anos depois, com apenas 22 anos, formou-se com as melhores notas de sua turma.
Além de estudar medicina, tornou-se especialista em 20 especialidades diferentes para melhor atender seus pacientes e foi um dos primeiros a estudar e aplicar insulina para o tratamento da diabete, uma doença que sua mãe tinha.


2. Seu trabalho foi seu meio de santificação
Sendo já um médico, costumava se levantar muito cedo para ir à Missa e receber a comunhão. Depois, dirigia-se às colônias pobres para ver alguns enfermos e, às 8h30, iniciava o trabalho no hospital.
Seus pacientes favoritos sempre foram os pobres, aos quais nunca cobrou dinheiro, atendia sempre com um sorriso no rosto e sem fazer-se notar.
Em várias ocasiões rejeitou ofertas que prometiam uma carreira acadêmica de sucesso, porque percebeu que o plano de Deus para ele era servir aos seus pacientes pobres e treinar seus estagiários.
Após falecer em 12 de abril de 1927, os cidadãos imediatamente o reconheceram como “o médico santo”  e os pobres choraram a perda de seu amigo e doutor.

3. Rezava pelos seus pacientes e os convidava à fé
José Moscati usava os mais altos padrões de medicina e ao mesmo tempo rezava pelos seus pacientes e tentava convencer aqueles que estavam longe da fé a procurar os sacramentos.
Antes de examinar alguém ou realizar alguma pesquisa médica, colocava-se na presença de Deus.

4. Quis ser jesuíta
Por volta dos 30 anos, José Moscati fez um voto particular de celibato e, por algum tempo, achou que tinha vocação para a vida religiosa. Os jesuítas que o aconselharam discerniram que Deus queria que ele permanecesse no mundo como médico.

5. Salvou vidas heroicamente
Poucos anos depois de obter seu diploma de medicina, organizou a evacuação de um hospital durante uma erupção do Monte Vesúvio (o teto do hospital desabou logo após a remoção dos últimos pacientes).
Com apenas 31 anos de idade, ajudou muitos doentes durante uma epidemia de cólera e, durante a Primeira Guerra Mundial, cuidou dos soldados feridos e moribundos do exército italiano.

São José Moscati, rogai por nós!

sábado, 18 de maio de 2019

Encontro do Papa com trabalhadores da saúde da Itália



O Papa Francisco teve um encontro com a Associação Católica Italiana de Trabalhadores da Saúde no 40º aniversário de sua fundação. O Papa, mais uma vez, salientou que a tecnologia no campo da medicina deve respeitar a dignidade humana. Por esta razão, ele lembrou que eles podem recorrer à objeção de consciência para tornar sua posição conhecida.

“A escolha da objeção de consciência, embora necessária, deve ser realizada com respeito, para que não se torne motivo de desprezo ou orgulho. Deve ser feito com humildade”.

O papa lamentou que cada vez mais o sistema de saúde priorize a eficiência e a redução de custos sobre o tratamento adequado dos pacientes.

“O esforço para tratar os doentes como pessoas, e não como números, tem que ser feito em nossos tempos. Temos que levar em conta a forma que o sistema de saúde vem adotando progressivamente”.

Ele também reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde, que muitas vezes são esquecidos ou até mesmo desprezados.

“Em um ambiente onde o doente se torna um número, você também corre o risco de ser “queimado” por horas de trabalho difícil, o estresse de emergências ou o impacto emocional. Portanto, é importante que os profissionais de saúde sejam adequadamente supervisionados em seu trabalho, recebam reconhecimento pelas tarefas que desempenham e possam usar as ferramentas apropriadas para estar sempre motivados e treinados”.

Finalmente, o papa os convidou para estar sempre perto daqueles que mais precisam: os esquecidos e marginalizados.

sábado, 29 de dezembro de 2018

O parto animalizado



Olá, meu leitor!

Encontrei este texto circulando na internet, fantástico! Resume exatamente o que penso sobre o assunto. Não conheço o autor, mas deixei seu nome no final do texto.

Feliz 2019!

x-x-x-x-x

O PARTO ANIMALIZADO

Para quem estranhou o título, aviso que nunca chamarei um parto que abre mão de tudo que a Humanidade desenvolveu para segurança da mãe e do bebê, voltando ao mesmo primitivismo de animais e povos selvagens de “humanizado”.

Há algumas semanas, vi uma sequência de fotos de uma moça parindo dentro do seu banheiro. As fotos são acompanhadas de um relato da própria, cheio daqueles chavões habituais para descrever algo que até uma gata faz sem se achar melhor por isso.

Porém, o mais triste foi constatar, pelo relato, que o trabalho de parto durou 2 dias; que a criança – uma menina – nasceu “toda trabalhada no mecônio” (frase escrita pela mãe) e que demorou para chorar, mas que a mãe compreendeu que “ela tinha sua hora para isso”. Pior foi saber que, durante todo o trabalho, a parturiente foi assistida por uma doula (o corretor do iOS quis trocar a palavra por “doida” e eu quase deixei) e que a pediatra de plantão (a médica ficou dois dias de plantão no quarto da moça?? Não tem mais nada a fazer?) só entrou no banheiro quando a criança, toda verde, nasceu.

Sim, verde.

Toda a sequência foi fotografada, mostrando a moça somente de sutiã, bastante acima do peso (deve achar que controle de peso na gestação é opressão do patriarcado machista), seguida de fotos da criança toda tingida de verde devido ao mecônio e depois tem uma foto da placenta com péssimo aspecto, igualmente verde.

Não compreendo muito essa necessidade de exposição. Eu nunca fotografaria um exame de próstata meu, ou uma cirurgia de hemorróidas para postar no Facebook e mostrar como sou corajoso. Nas fotos, li um comentário de uma moça que achei muito interessante. Ela dizia que essas mulheres querem ser as protagonistas num evento onde o protagonista deveria ser o bebê. Que parecem mais preocupadas em se expor do que com o bem estar do filho.

Eu havia me surpreendido ao ler a própria moça reconhecer que a filha nascera envolta em mecônio e que demorou para chorar, mas não se preocupou com isso, até ler alguns comentários de respostas de mulheres igualmente fanáticas por parto animalizado afirmando que “a presença de mecônio é diferente da síndrome de aspiração de mecônio”.

Então, eu gostaria de fazer alguns comentários, particularmente para as mulheres jovens, em idade fértil e bem intencionadas. Acredito que muitas dessas mulheres que optam pelo parto domiciliar acreditam estar fazendo um bem ao seu filho.

Entendam que, nos últimos tempos, temos tido um aumento das religiões laicas ou ateístas no mundo. A primeira delas foi o humanismo, que deu origem ao socialismo, a mais difundida e duradoura das religiões laicas. E por que religião? Porque seus princípios se baseiam numa crença praticamente cega a conceitos que, mesmo que se provem errados, continuam a ser respeitados. No caso do socialismo, não adianta se mostrar que nenhum país que o adotou melhorou as condições de vida de sua população e que a imensa maioria descambou para uma ditadura sanguinária, que seus adeptos continuam a acreditar nele.

O veganismo, o neoateísmo, o ambientalismo, os movimentos pelos direitos dos animais constituem outras religiões laicas relativamente novas, mas uma das mais novas é esse movimento pela volta do parto aos moldes primitivos. Procedimentos que foram criados para evitar lesões sérias na mulher, como a episiotomia, são demonizados como se o obstetra os praticasse por puro sadismo. Mas o que caracteriza o conteúdo religioso desse movimento é o fato de terem criado sua própria “ciência” e defenderem suas posições como se 5 mil anos de civilização nada tivessem valido perto dos últimos anos de “conhecimento” desse grupo.

Então vamos a alguns pontos.

– A episiotomia é um procedimento que visa evitar uma complicação do parto normal, que é a rotura do tecido que separa a vagina do ânus. Essa rotura leva a um problema seríssimo, que requer correção cirúrgica e que afeta bastante a autoestima da mulher. Para evitar isso, o médico faz um corte na parede lateral da vagina. Se a cabeça do bebê forçar algum rompimento, será para esse lado, o que será corrigido logo após o parto (o que não será possível se a rotura for em direção ao ânus). Relatos de mulheres que ficaram com cicatrizes desse procedimento são exceções à regra. Já li também relatos de mulheres que ficaram com quadros de dores crônicas e coincidentemente, elas contam que haviam pedido para não serem submetidas à episiotomia, ou seja, já tinham prevenção contra o procedimento e seu quadro doloroso pode ser mais de origem psicológica do que física.

– O mecônio é o nome dado às fezes do feto, antes de começar a se alimentar de leite. É caracteristicamente verde devido à bile e um aspecto muito pegajoso. Não é normal a criança evacuar no líquido amniótico. Isso só ocorre quando existe algum grau de sofrimento fetal. Afirmar que a presença de mecônio não significa que o bebê aspirou esse mecônio é uma das características religiosas desse movimento. Criaram uma diferenciação falsa somente para tranquilizar as mães cujos filhos nasçam “trabalhados no mecônio” como disse a mãe da postagem. Um pouquinho de mecônio até pode ser eliminado em alguns partos, mas para o bebê nascer tingido, é necessário mais de 24 horas de sofrimento fetal, com grandes riscos para o feto.

– Embora muita gente pense que os médicos vão à faculdade de Medicina para aprender a matar os outros, ou pelo menos, tornar suas vidas mais miseráveis, posso garantir que a maioria não estragou sua juventude, estudando feito loucos, ficando sem vida social, com esse objetivo. A maioria queria era ajudar os outros. Se queriam ganhar dinheiro fazendo isso? Claro que sim! Não há mal em se ganhar dinheiro honestamente, ainda mais se ajudamos os outros no processo. Diante disso, desconfiem sempre que alguém fale de médicos como seres que não querem a melhora dos seus pacientes. Se algum médico faz algo ruim ao paciente, provavelmente é por incapacidade, não de caso pensado. Quase todo médico quer ficar famoso como alguém que cura seus pacientes. Dizer que o médico fez uma episiotomia por sadismo já chega às raias da insanidade.

– Um obstetra estudou 6 anos para ser médico, depois mais 3 ou 4 para ser Ginecologista-Obstetra. Uma pessoa achar que uma doula, que entrou nessa modinha há 2 anos, vai ser mais capaz do que um obstetra, é uma prova de fé irracional.
“Ah, mas tem um médico que escreveu um livro apoiando o parto domiciliar…” Lembra que eu sempre me referi aos médicos conscienciosos como “a maioria” ou “quase todos”? Então, fiz isso porque sempre haverá o picareta. Na Medicina e em qualquer outra profissão. Aquele que quer ganhar dinheiro vendendo livros com ideias não científicas, mas que são de grande apelo popular. Perca peso comendo de tudo. Eduque seus filhos sem fazer esforço. Tenha bebês como um animal. Esses médicos são os verdadeiros vilões, não aquele que quer fazer uma episiotomia, ou que defende uma cesariana em casos necessários.

O conceito de religiões sem deus é muito importante para vocês compreenderem por que tantos “ativistas” têm surgido ultimamente. Se antes tínhamos os Testemunhas de Jeová batendo em nossas portas, hoje temos outros tipos de religiosos, querendo impor aos outros suas crenças. Cabe a você decidir se “se converte” ou não.

Mas se o fizer, faça consciente de que está entrando numa nova religião, não num movimento científico.

Maurício Vilela

sábado, 1 de dezembro de 2018

Ser medico católico exige heroísmo



Publicado em Aleteia

À frente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC) há alguns meses, o Dr. Bernard Ars, professor universitário (PhD) e especialista em otorrinolaringologia e cirurgia cérvico-facial, definiu três prioridades: “estimular a compaixão particular que nós, médicos católicos, devemos desenvolver diante da precariedade vital e social, espalhando a antropologia e a moral cristã, assim como o justo diálogo entre Fé, Razão e Ciência, permanecendo fiéis à Igreja e a seu Magistério, e aumentar nossa vida interior”.
A FIAMC é composto por 80 associações que representam cerca de 120.000 membros de todo o mundo. Tem uma missão dupla: por um lado, fortalecer os médicos que se comprometem com a federação por sua fé em Jesus Cristo, para ajudá-los a aplicar a mensagem do Evangelho em sua prática diária. Por outro lado, informar a Santa Sé das realidades e evoluções da medicina em relação à clínica e à pesquisa.
– Aleteia: Os médicos católicos estão cada vez mais em situações onde eles devem reivindicar o direito à objeção de consciência, porque os sistemas de cuidados de saúde os obrigam a práticas contrárias à dignidade humana: manipulação genética, eutanásia, aborto… O que você recomenda a esses médicos?
Dr. Bernard Ars: Por um lado, eu os aconselho a estarem sempre cientes de que a cláusula de consciência está incluída em todos os seus contratos com uma instituição ou um colaborador, bem como na legislação de seus países e, por outro lado, formar adequadamente sua própria consciência moral ao longo de sua vida estudando a antropologia cristã e estimulando momentos de revitalização da vida interior.
– O que diz a cláusula de consciência?
O dever da objeção de consciência manifesta a grandeza da dignidade humana. Uma pessoa nunca pode ser forçada a cometer um mal moral. Ela não pode consciente e deliberadamente aderir a uma ação que destrói sua própria dignidade. A liberdade do ser humano é um reflexo da imagem e semelhança que Deus imprimiu de Si mesmo no coração dessa pessoa. Essa pessoa não pode usar sua liberdade para apagar o reflexo da presença de Deus nela.
É por isso que deve resistir às leis humanas injustas. Este foi o caso em certos momentos da história com a discriminação racial e o apartheid, é o caso hoje com o aborto, a eutanásia e outros atos inconciliáveis com a dignidade da pessoa. Se um médico católico se opõe a certas práticas, não é porque seja católico em primeiro lugar, mas porque é uma pessoa, um ser que ouve a voz de sua consciência, iluminada e confirmada pela doutrina da Igreja.
Todos conhecemos a anedota do cardeal Newman, a quem perguntaram se brindaria antes pela consciência ou pelo Papa. Quando ele respondeu que iria levantar a taça primeiro pela consciência e, em seguida, pelo Papa, não tinha a intenção de se opor ao cristão, contra a Igreja, mas honrar a voz única da verdade cujo eco soa primeiro na consciência do cristão, com a confirmação, se fosse necessário, do juízo da Igreja.
– O Papa e a Santa Sé recorrem a sua associação para aprender sobre problemas de bioética. Como o relacionamento com o Vaticano é articulado?
Nossas trocas de informações não dizem respeito apenas a problemas de bioética. A medicina está envolvida em muitas áreas do ser humano: pesquisa científica, cultura, família… Os problemas de bioética são essencialmente da responsabilidade da Academia Pontifícia para a Vida, que depende do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Quanto à FIAMC, depende do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral.
– Quais são as questões éticas que hoje são colocadas aos médicos católicos?
Os problemas éticos encontrados pelos médicos católicos variam em intensidade, de acordo com a prática e as regiões do mundo. Por exemplo, os clínicos gerais enfrentam dificuldades éticas e deontológicas no relacionamento pessoa a pessoa. Especialistas médicos enfrentam dificuldades éticas referentes à dominação da tecnociência, à indústria, especialmente a farmacêutica, bem como o consumismo sanitário.
Por último, os pesquisadores médicos enfrentam dificuldades éticas relacionadas aos objetivos e estratégias de trabalho, bem como os laços de financiamento. Muitas vezes, nos últimos anos, a bioética tem sido interpretada e instrumentalizada ideologicamente de maneira inconsistente com seus objetivos iniciais, que eram a defesa da vida e do ser humano, e também a visão cristã da pessoa. Para devolver seu profundo sentido à bioética, é importante formar consciências morais baseadas em uma antropologia cristã atualizada, orientada para o bem comum.
– A medicina contemporânea, baseada no hospital e no big data, corre o risco de perder a relação médico-paciente. Como seria possível recuperar o papel do médico em nossa sociedade?
Além do verdadeiro problema ético do big data, a coleta automatizada de dados do paciente permite um diagnóstico rápido e uma terapia precisa. Embora seja, sem dúvida, um progresso no tratamento de doenças, a tecnicidade da medicina científica tende a reduzir o contato entre médico e paciente a um inventário do desempenho objetivo de funções biológicas essenciais.
No entanto, o paciente espera algo mais do médico. Embora certamente não é indiferente à dor e ao sofrimento de seu corpo e à ameaça que uma doença representa para seu futuro e de seu ambiente, o paciente também espera do médico que lhe ensine a viver com a doença.
– Mas, como você ajuda os doentes a desenvolver sua resiliência?
No paciente, a resiliência é um processo dinâmico e interativo entre você mesmo, sua família e seu meio ambiente e que lhe permite desenvolver uma trajetória nova e bem-sucedida, mudando a representação da realidade que lhe causa mal. Para isso, nós médicos devemos mostrar empatia, apoio, e saber escutar. Ouvir significa dar todo o valor que a palavra do outro merece. Através da escuta aprendemos do paciente o que ele está sentindo, assim como os meios para lidar com isso.
Para que a escuta seja frutífera e benéfica para o paciente, é conveniente respeitar seu ritmo. Não tente forçar as confidências e também devemos discernir o momento favorável para terminar a conversa. A resiliência é um processo de longo prazo. Somente deixando que o tempo faça seu trabalho pode nascer um “novo” modo de vida a partir da doença. Você tem que dar tempo ao tempo. Para que esse momento difícil seja suportável, precisamos saber como vivenciá-lo dia a dia.
– Então, como é dito no Evangelho de Mateus, “basta a cada dia o seu próprio mal”?
Todos os dias há muitas dificuldades, mas cada um tem a coragem de enfrentá-las. Devemos ajudar o paciente a receber os recursos que cada dia oferece e saber como deixar para trás, com confiança, o dia que termina. Mesmo nas piores condições, o ser humano tem a capacidade de se afastar das más circunstâncias usando o humor. Vamos ser receptivos e interativos! “Os homens são fortes enquanto representam uma ideia forte”, disse Freud.
É em torno dessa ideia forte, desse sentido que dá coerência à sua vida, que o ser humano pode ser construído e reconstruído. “Você tem que encontrar o sentido, porque é um objeto de busca, mas em nenhum caso deve ser dado. Cabe ao paciente encontrá-lo por si mesmo”, disse o professor de neurologia e psiquiatria Viktor Frankl. Além disso, o médico católico, além de sua competência científica e empatia humana, é também uma alma que vê Cristo sofrendo em sua doença e reza pelo homem ou mulher que sofre.
– Muitos médicos católicos exercem sua profissão em circunstâncias de extrema pobreza. Existe uma mensagem que você gostaria de passar para esses médicos?
Aos meus queridos colegas, sem dúvida, faltam ferramentas básicas de diagnóstico e terapias atualizadas para cuidar de seus pacientes e salvar vidas humanas. Eu diria a eles que não hesitem em alertar, por todos os meios a sua disposição, as organizações internacionais e seus círculos mais próximos para atenuar a gravidade de sua situação. Não obstante, saibam que são os melhores de nós, sua empatia é mais desenvolvida, e vocês compreendem melhor do que ninguém a angústia dos doentes.
Saibam também que muitos de nós oramos por vocês. E quando nós, médicos, não temos nada mais eficaz a propor que enfrentar a doença e o sofrimento, sempre temos nosso acompanhamento, nossa escuta e nosso tempo para oferecer. Trazemos sempre a esperança. Podemos sempre oferecer, por último e não menos importante, a ajuda poderosa da oração.
– Você poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória? Por que decidiu se dedicar à medicina? E como médico cristão?
Eu escolhi a medicina com 17 anos porque era uma profissão de relacionamento humano – de dar e receber – e porque eu sentia que poderia ser feliz praticando-a. Escolhi a otorrinolaringologia porque essa especialidade me dava, em proporções iguais, as alegrias das consultas clínicas, da cirurgia e dos trabalhos funcionais.
Quanto à vocação de médico cristão, não a escolhi na realidade. Ela veio devagar e suavemente. Eu sempre fui crente e praticante. No entanto, diante dos problemas e sofrimentos da vida, a prática cristã e também a minha vida de oração com Jesus me pareciam a única e verdadeira forma de vida.
– Gostaria de dar alguns conselhos aos jovens cristãos que querem se tornar médicos?
Comprometa-se onde quer que seu coração te chame! E quando assumir o compromisso, pratique sem cessar, no nível científico e técnico e de forma contínua. É uma questão de profissionalismo! Mas faça isso também no nível cultural, artístico, filosófico e mesmo teológico, a fim de ter a maior abertura humanística possível na escuta de nossos pacientes.
Com efeito, o paciente que vem nos consultar vem falar de si e espera que o médico ouça e responda. Ele está passando mal. Pode se sentir excluído. A resposta ao paciente se faz de maneira aberta sobre a doença. Isso leva o paciente a refletir sobre si mesmo e a doença que o aflige. A doença arredia e, mais ainda, a morte, podem aparecer como um limite para a eficácia médica. A tendência natural seria escapar dessa doença ou morte, mas o importante é estar disponível para que o paciente não se sinta sozinho diante dessa experiência.
O médico não é dono da vida ou da morte do paciente que lhe foi confiado. Ele não tem seu paciente, mas ele está a serviço da vida da pessoa que sofre. O médico católico vive de Cristo. Tem uma unidade vital, uma coerência em todos os aspectos da sua vida, que implica não só uma competência profissional e responsável, científica e técnica, em colaboração com as outras disciplinas sanitárias mas, acima de tudo, uma vida interior forte e cotidiana, bem como um conhecimento profundo da visão cristã do ser humano.
Em suma, uma antropologia cristã atualizada, expressada tanto na pesquisa quanto na clínica, em uma palavra, na cultura. A medicina não é uma ciência, é uma arte. É a profissão mais bonita do mundo!

domingo, 28 de outubro de 2018

O voto católico de esquerda?




Passadas as emoções das eleições, resolvi escrever esta reflexão sobre os últimos acontecimentos de fundo político ideológico em nosso país e no mundo. É lamentável a violência com que a família tradicional vem sendo atacada, e não falo somente dos ataques diretos e objetivos, falo dos ataques velados, disfarçados de discursos politicamente corretos, mas com dupla intenção.

A velha política da esquerda, voltada para plantar em conta gotas (técnica de manipulação em massa) a tentativa de destruir valores morais e éticos, utilizando sofismas que encantam os incautos e a nossa juventude, muitas vezes na universidade. Em todo o mundo, a cor da esquerda é vermelha, seus discursos são mantras repetitivos e a "justiça social" é o tema que recruta os mais ingênuos, mesmo os mais intelectuais, que se recusam enxergar outra verdade; porém, é claro que há os astutos e conscientes dos fatos, esses sim, são perigosos, pois sabem muito bem onde querem chegar.

Como católico, que procura estudar para entender melhor a minha fé, não consigo entender como leigos católicos, padres e bispos, possam ir contra encíclicas papais austeras e assustadoramente contundentes em relação ao comunismo e todas as usas vertentes (socialismo, maoismo etc). São elas:

1- Qui Pluribus / 1846 (Papa Pio IX – que nessa época já combatia vigorosamente as ideias de Marx)
2- Quod Apostolici Muneris / 1878 (Papa Leão XIII)
3- Rerum Novarum / 1891 (Papa Leão XIII)
4- Quadragesimo Anno / 1931 (Papa Pio XI – Carta Magna da doutrina social católica)
5- Divini Redemptoris / 1937 (Papa Pio XI)
6- Mater et Magistra / 1961 (Papa João XXIII)
7- Centesimus Annus / 1991 (Papa João Paulo II)

Segundo estes documentos do Magistério, a Igreja Católica Apostólica Romana extirpa qualquer dúvida com relação de uma complacência ou animosidade com qualquer idéia socialista ou comunista, chegando ao extremo de definir excomungado todo aquele que assim proceder. Isso é o que me deixa mais abismado: como a teologia da libertação pode encontrar como adeptos bispos, sacerdotes e leigos católicos, compactuando ideais, partidos e personalidades abertamente comunistas.

Pela falta de conhecimento ou desobediência de fato ao catecismo da Igreja que explicita o total repúdio ao comunismo e qualquer envolvimento com seus ideais, vemos parentes e amigos, bispos, sacerdotes e leigos praticantes defendendo e elegendo candidatos que se contrapõem frontalmente a fé católica e a fé cristã dos irmãos evangélicos também.

Se você vota em um candidato porque ele se declara a favor dos trabalhadores, cuidado, esse foi o grande alarde feito pelo Papa Pio XI (cf.Encíclica “Divini Redemptoris”, de 19 de março de 1937,n.8):

“A doutrina comunista que em nossos dias se apregoa, de modo muito mais acentuado que outros sistemas semelhantes do passado, apresenta-se sob a máscara de redenção dos humildes. E um pseudo-ideal, de justiça, de igualdade e de fraternidade universal no trabalho de tal modo impregna toda a sua doutrina e toda a sua atividade dum misticismo hipócrita, que as multidões seduzidas por promessas falazes e como que estimuladas por um contágio violentíssimo lhes comunica um ardor e entusiasmo irreprimível, o que é muito mais fácil em nossos dias, em que a pouco equitativa repartição dos bens deste mundo dá como consequência a miséria anormal de muitos.”

É muito chocante ver o que vem acontecendo até agora nos governos ditos socialistas no Brasil, com os ataques sempre crescentes à família tradicional, à religião, ao enaltecimento da promiscuidade através de manifestações ditas feministas como o movimento das vadias enfiando crucifixo no ânus, quebrando imagens, defecando e urinando em igrejas, ironizando o aborto de Jesus Cristo, manifestações de ironia e desprezo pelo Cristo nas paradas lgbts, exposições em museus desrespeitando a fé cristã, homem nu sendo tocado por crianças, professora ensinando alunos como colocar camisinha com a boca em um pênis de plástico num aluno, imoralidade em novelas, programas de televisão...

Você que vota em candidatos de esquerda porque acredita ingenuamente que estes defendem a democracia, direitos dos trabalhadores e justiça social, parabéns! É porque não está incomodado com a tentativa de legalização do aborto, de implantação da ideologia de gênero para seus filhos e netos, e muito menos a descriminalização da pedofilia, a impunidade para os corruptos e criminosos, o apoio a ditaduras de esquerda pelo mundo afora etc.

Que Deus nos ajude a ver as coisas com mais clareza, para seguirmos seu Filho pelo caminho correto...